A promessa de apagar rugas saiu de cena. Isa Odara, biomédica e CEO da Clínica Odara, explica a virada cultural que colocou a saúde da pele no lugar da obsessão pela juventude
O vocabulário da beleza mudou. O termo “anti-idade”, que por décadas dominou rótulos, campanhas e consultórios, vem perdendo espaço para uma nova expressão: longevidade da pele. O movimento acompanha a consolidação da longevidade como grande tema do wellness global, presente em protocolos de medicina preventiva, relatórios de tendências e na estratégia dos maiores grupos do setor, caso da L’Oréal, que transformou a “ciência da longevidade” em plataforma de pesquisa. Por trás da troca de palavras, há uma mudança de mentalidade: envelhecer deixou de ser tratado como problema.

“Por anos, o mercado vendeu a ideia de combater o tempo, como se envelhecer fosse um defeito a ser corrigido. Hoje vivemos um movimento de reconciliação com o envelhecimento: as pessoas não querem mais parecer outra pessoa mais jovem, querem envelhecer bem, com saúde, vitalidade e identidade preservada”, afirma Isa Odara, biomédica e CEO da Clínica Odara. Para ela, a longevidade da pele nasce dessa virada de chave. “Trocamos a lógica da correção pela lógica do cuidado contínuo. Não é sobre apagar sinais, é sobre manter a pele funcional, saudável e bonita em cada fase da vida.”
Na prática, o conceito se apoia em pilares pouco mirabolantes: proteção solar diária, apontada pela especialista como o maior fator evitável de envelhecimento precoce, hidratação e preservação da barreira cutânea, bons hábitos de vida, como sono, alimentação e gestão do estresse, e cuidados profissionais regulares, de caráter preventivo, não corretivo.
O que costuma atrapalhar, segundo a biomédica, é a pressa. “O erro mais comum que vejo é buscar resultado rápido. As pessoas querem um procedimento isolado resolvendo tudo, quando na verdade a pele responde à consistência. Skincare e procedimentos funcionam como um investimento de longo prazo, não como um conserto pontual”, diz.
O conceito tampouco dispensa a tecnologia. A questão, para Isa, é de integração e hierarquia. “O segredo está na personalização e na combinação desses pilares, não em escolher um só. A tecnologia e os procedimentos estéticos aceleram e potencializam resultados, mas não substituem uma rotina diária de cuidado nem hábitos de vida saudáveis”, explica. Nesse modelo, a prevenção começa cedo, com protocolos simples e sustentáveis, os tratamentos entram para otimizar e manter o que já foi conquistado, e os hábitos sustentam tudo isso ao longo dos anos. “Pele saudável em todas as fases da vida é resultado de constância, não de intervenções isoladas”, resume.









